Clube de Futebol - Amor à prova de eternidade

Por que as empresas pagam tanto dinheiro para anunciar nas camisas dos clubes de futebol? E poderiam pagar mais?

O homem troca de mulher, religião, partido politico, de marca de produto mas, raramente, troca de time de futebol. Lealdade tão profunda que as vezes se assemelha ao fanatismo.

É esta relação que as empresas gostariam que os consumidores tivessem em relação a seus produtos e serviços. A paixão e a emoção são os ingredientes da relação do torcedor com seu clube de coração. Além disto, o esporte é um fenomeno que atinge a todas as faixas de publico, independente de credo, raça, idade, sexo ou classe social.

As empresas- anunciantes, sabem que o esporte é um excelente veículo de comunicação sem qualquer barreira junto ao público consumidor. Um comercial na TV pode ser ignorado, mas a camisa do clube jamais.
No Brasil, esta tem sido a forma de exploração deste canal pelas empresas. Desde os anos 80, quando o Flamengo assinou com a Petrobras, em 1984, um dos contratos mais antigos e duradouros do futebol mundial, grandes marcas tem se associado aos clubes. A Coca-Cola, em 1987, foi mais longe, e patrocinou todos os grandes clubes do Brasil, componentes do Clube dos 13, que jogaram a Copa União 1987. Ela se associava ao conceito de recuperação de uma paixão popular – os clubes estavam à beira da falência e a CBF declarara que não tinha recursos para realizar o campeonato brasileiro. Com a transmissão ao vivo pela TV Globo, videotapes e a cobertura dos demais veiculos de comunicação o valor da exposição da Coca Cola foi muito maior que o valor investido e, de quebra, ela reforçou sua imagem de simpatia, na época dificil para uma multinacional num momento em que o país vivia a xenofobia do nacionalismo exarcebado.

Com o advento das novas midias (TV Digital, internet, tefonia movil, etc) distribuindo o futebol para o publico consumidor e do sistema de pontos corridos que garante visibilidade o ano inteiro , as possibilidades de ampliar não só a visibilidade, mas a ativação de outras ferramentas de comunicação como eventos e promoções, relações públicas, hospitalidade (camarote para clientes, fornecedores, funcionarios, da empresa) entre outras, os clubes terão uma oportunidade ímpar de formar parcerias que lhes dêem mais autonomia economica e que permita-lhes manter nossos craques no Brasil. Isto já começa a acontecer com os recentes anuncios de patrocinio da FIAT ao Palmeiras, a LIQUIGAS com o Botafogo, a EMBRATEL que vai patrocinar 7 clubes do interior, durante o Campeonato Paulista de 2008 e o Corinthians com a Medial Saúde.

Com a necessária profissionalização dos dirigentes, teremos inicio a um ciclo virtuoso, onde o maior beneficiado, além de todos os profissionais que trabalham na indústria esportiva, será o torcedor-consumidor. Afinal o Brasil é um dos maiores mercados publicitários do mundo.

LANCE!, 23 de dezembro de 2007.

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